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UMA ÉPOCA DE SONHO CULMINA NA FINAL DOS SONHOS

  • há 21 horas
  • 4 min de leitura

O GDD Alcoitão e a APD Braga. Dois clubes, duas histórias, uma única Final. O basquetebol em cadeira de rodas português nunca esteve tão bem representado.


Há temporadas que se vivem. E há temporadas que se sentem — que entram pela pele, que ficam no peito, que fazem crescer um clube por dentro. A época 2025/2026 do GDD Alcoitão é, sem qualquer dúvida, uma dessas temporadas. Uma época feita de suor, de entrega, de momentos que nenhum atleta, nenhum adepto, nenhum conhecido, familiar ou amigo nas bancadas alguma vez esquecerá.

E agora, no final de tudo, surge o palco mais bonito que o basquetebol em cadeira de rodas português pode oferecer: a Final da Liga BCR, ao melhor de cinco jogos, frente à equipa mais titulada e respeitada da modalidade em Portugal. Frente à APD Braga.



Fernando Lemos e a arte de construir uma equipa



Por detrás de cada grande equipa existe sempre um grande líder. Em Alcoitão, esse líder chama-se Fernando Lemos. Ao longo desta temporada, o treinador da equipa foi muito mais do que um organizador de sistemas e estratégias — foi o arquiteto de uma identidade coletiva que fez do GDDA uma das equipas mais admiradas do país.

Um grupo. Uma equipa. Um projeto que Fernando Lemos soube guiar com a paciência de quem acredita — e com a exigência de quem sabe que acreditar não chega.



Outubro - A Supertaça e o primeiro reencontro com Braga


Fotografia da autoria SportsFlash
Fotografia da autoria SportsFlash

A história desta temporada começou em Torres Novas, numa tarde de outubro que anunciou ao país o que estava a nascer em Alcoitão. No Pavilhão Helena Sentieiro, o GDDA conquistou a Supertaça de Basquetebol em Cadeira de Rodas ao vencer a APD Braga por 57–36. A terceira Supertaça da história do clube — e a primeira em trinta anos, desde 1994/95.

Mas mais do que o troféu, o que ficou foi a sensação. A sensação de que esta equipa tinha algo diferente. Algo especial.



Dezembro - Alvide - A confirmação em casa



Com a Liga BCR a ganhar forma, chegou a Alvide uma APD Braga determinada a responder. O que se seguiu foi um espetáculo de basquetebol — intenso, disputado, cheio de momentos que prenderam a respiração nas bancadas. O GDDA entrou forte, sofreu a reação bracarense no segundo período, mas encontrou sempre recursos para se reafirmar. André Gomes liderou com 20 pontos. Nelson Pereira foi um rochedo defensivo. Ângelo Pereira distribuiu o jogo com elegância e visão. Resultado final: 59–44 para o GDDA. Uma vitória conquistada com esforço, com coração, com alma.



Março - Braga - A deslocação mais exigente



Jogar em Braga nunca é fácil. A APD Braga tem no seu pavilhão de Ferreiros um lugar onde a história pesa — onde décadas de troféus e glórias criam uma atmosfera única, difícil de ignorar para qualquer visitante. O GDDA foi lá e produziu, talvez, a sua exibição mais completa da temporada. Domínio desde o primeiro minuto, crescimento progressivo, e um terceiro período devastador com um parcial de 18–5 que selou um triunfo por 58–37. Uma visita a Braga que ficará na memória.



Março - O Luso - A noite que parou o tempo



Há jogos que existem para além do resultado. A meia-final da Taça de Portugal, no Pavilhão Municipal do Luso, foi um desses jogos. GDDA e APD Braga protagonizaram um duelo de uma intensidade e de um equilíbrio raramente vistos — dois conjuntos de altíssimo nível, dois projetos construídos com seriedade, a medir forças num palco à sua altura. O marcador nunca deixou ninguém confortável. As emoções não pararam de correr. E nos momentos mais difíceis, quando o jogo estava pendurado num fio, o GDDA encontrou dentro de si a força para segurar, para decidir, para vencer — 68–64. Uma vitória que custou tanto. Uma vitória que valeu tudo.



O magnífico adversário


Fotografia da autoria SportsFlash
Fotografia da autoria SportsFlash

Seria impossível falar desta final sem falar, com toda a admiração que merece, da APD Braga. Este clube é, simplesmente, uma instituição do basquetebol em cadeira de rodas português. Ao longo dos anos, a formação bracarense construiu um palmarés que nenhuma outra equipa do país conseguiu igualar — títulos nacionais, presenças constantes nas decisões, uma cultura de excelência que atravessa gerações de atletas.

Por detrás dessa grandeza está um treinador, Ricardo Vieira, cujo trabalho ao longo dos anos tem sido verdadeiramente notável. Construir uma equipa competitiva ano após ano, manter uma identidade, motivar atletas em diferentes momentos das suas carreiras — isso é uma obra de vida. O que Ricardo Vieira fez pela APD Braga e pelo basquetebol em cadeira de rodas português merece o maior dos reconhecimentos.

Esta é uma equipa que sabe o que é ganhar. Uma equipa que chegará a esta final não como favorita ou como underdog — mas como o adversário mais digno e mais respeitável que o GDDA poderia encontrar. Uma final entre estes dois clubes é, acima de tudo, uma celebração da modalidade.



A Final. Cinco jogos. Uma história por escrever


Os dois primeiros encontros disputam-se no pavilhão da EBS de Alvide, em Cascais — casa do GDDA, onde a família de Alcoitão acorre a apoiar os seus. Os jogos três e quatro, se necessários, acontecem no Pavilhão de Ferreiros, em Braga — onde a APD Braga tem raízes tão fundas quanto a sua história. E o quinto, se a série o exigir, volta a Alvide para um desfecho que ninguém quer imaginar antes de acontecer. Transmissão em direto pela FPB TV.

Quatro confrontos esta época, quatro vitórias do GDDA. Mas uma final ao melhor de cinco é diferente. É uma maratona emocional. É uma prova de quem aguenta, de quem recupera, de quem quer mais. E a APD Braga, com toda a sua experiência e tradição, saberá elevar o nível.



Mais do que uma final


Desde 1990 que o GDD Alcoitão existe para provar que o desporto adaptado tem lugar nos maiores palcos. Que estes atletas merecem atenção, admiração e reconhecimento iguais a qualquer outro. Que a inclusão não é uma palavra — é uma prática diária, vivida dentro e fora de um pavilhão.

Esta final é o culminar de uma época extraordinária. É o fruto do trabalho de Fernando Lemos, da entrega de um grupo de atletas extraordinários, do apoio de um clube e de uma comunidade que acredita. É um presente para todos os que acompanham esta modalidade e sabem o quanto ela merece.

Dois clubes que se respeitam. Dois projetos que honram o desporto. Uma única Liga para ganhar.


Que esta final seja tão bonita quanto as duas equipas que a disputam!

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